sexta-feira, setembro 20, 2013

Me sinto vazio.
Buraco.
Vão.
Furo.
Lacuna.
Orifício.
Falta.

Tanto sentimento que poderia ser vencido apenas com seu nome.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Tato

A mão salta do bolso
Ajeita o cabelo
Chacoalha o relógio
Amarra os sapatos
Fecha o cinto
Arruma o óculo
Procura um cigarro
Acende e fuma.

A mão volta ao bolso.

A mão coça as pernas
Divide os dedos dentro e fora do bolso
Pega o celular
Coloca o celular no bolso
Procura outro cigarro
Acende e fuma.

A mão volta ao bolso.

A mão salta do bolso
Mas não quer ajeitar o cabelo
Nem chacoalhar o relógio
Sequer amarrar os sapatos
Ou fechar o cinto e nunca arrumar um óculos.
Procura um cigarro
Acende e fuma.

A mão cansou de suas ações
Decidiu que será útil apenas para o que for necessário
A mão não quer mais ser apenas parte do mesmo corpo
A mão quer toque
A mão sente falta de uma outra mão que não a sua
A minha mão sente falta da tua.

terça-feira, maio 14, 2013

Menino da Gema


Menino carioca,
Menino da lapa,
Da rapa,
Da vida gasta
De um findo amor.

Menino do ar
Que sonha o mar
E que não tarda a calhar
Em um peito meu.

sábado, abril 27, 2013

Luminárias


Aí, que saudades sinto do cheiro de terra.
Quanta falta sinto do meu ribeirão.
Sinto falta da Dona Lindalva dando aula no colégio,
Dos domingos lotados de tédio.
Falta dos vizinhos mais próximos,
De pular a laje para fazer arte no porão.
Óh, quanta falta, quanta recordação.
A infância, dança, cansa, mas nunca irá me deixar.
A criança que sou, eu fui lá.
Eu aprendi lá.
Eu dediquei lá.
Os meu valores, os meus temores, minha parte mais doce da vida.
De uma cidade de luzes,
De uma cidade, Luminárias.

Inho


Ao sinhozinho,
Oh, meu benzinho,
Vejo sempre amanhecer azulzinho
Quando fico ao seu ladinho.
Podes ser pequenininho,
Mas inho é muito mais que muito ão.
Não adianta seres um homão
Se não couber em ti um coração
Se não divides comigo sua mão
Seria como vida em solidão.
Por isso quero-te sempre inho,
Sempre com carinho,
Tudo de mansinho,
Para nunca mais se encontrar sozinho.

Ao meus vícios imorais à Vinícius de Moraes


Ah, quanta falta eu sinto da simplicidade.
Ah, quanta falta eu sinto da velha cidade
Das manhãs de verão, das meninas na praia.
Ah, que saudades sinto da baia de Guanabara,
Dos bares da lapa, da vista do corcovado.
Se passaram cem anos de passagem
Sem você nos guiando com maestria.
As garotas de Ipanema, saravá.
Ao boêmios cariocas, sarava.
A poesia de bar, sarava.
Ao jeito certo de viver, sarava.
Ao meus vícios, ao Vinícius, saravá!

Vômito em quatro letras


A cama parecia cheia enquanto você deitava vazia.
As taças permaneciam como as havia deixado.
Você já não era mais a mesma.
A noite seguiu como costumeira.
Os mesmos toques, os mesmos lugares,
o mesmo ritmo, o mesmo tempo
e quase cronometrado, o orgasmo.
Na manhã seguinte tudo estava certo
mas nada estava em seu lugar,
meu estomago estava na cabeça
e minha mente revirava.
Meu coração saia a boca
como um vômito atrasado
que já deveria ter tido.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Sem, sa, são.

O toque sugere
o desejo instiga
os cotovelos de enlaçam
o corpo arrepia
os olhos se fecham
a mente pensa no abraço
a mente pensa no toque
o toque de um corpo
e não de um só membro

A lua ilumina
a luz falta
o reflexo alucina
a sugestão de uma curva
o brilho dos olhos
a lanterna da alma

Água corrente
corpo febril
mente doente
vida senil

domingo, janeiro 13, 2013

A ilusão de um abraço

A maior ilusão do mundo está em ser algo concreto, o sentido da vida é definido pelo incerto. A ilusão do abraço é o que mais me tormenta, como podemos acreditar que durante instantes todas as nossas dores estão dividas em dois? A realidade é tão sorrateira e cruel que em instantes você se vê só novamente, pra lhe mostrar que as suas dores são suas, apenas suas.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Para combater o frio,
estio.
Para se sentir em casa,
abrigo.
Para te fazer sorrir,
amigo.